E mais essa!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
(Parênteses)
Na primeira aula do primeiro dia de aula do primeiro colegial eu conheci o Wilsinho... Grandão, magricela, desajeitado, com olhos azuis liiiiindos e um jeitinho de bebê que dava vontade de pegar no colo. Ele virou melhor amigo em um segundo, apesar de ser totalmente diferente de mim. Ele me ensinava matemática, física, química, biologia e me ensinou também a gostar de rock. Levava fitas cassete com programas da MTV dos Estados Unidos gravados, para assistir em casa (naquela época não tínhamos MTV no Brasil). Era ele que eu chamava p/ me acompanhar quando tinha que ir a algum lugar loooonge e a pé. Ele era meu companheiro de caminhadas. Ele já tinha computador quando eu ainda fazia curso de datilografia. Ria da minha falta de equilíbrio. Queria fazer medicina. Queria ir embora de Bauru. Na sexta-feira, arrumando as caixas que ainda ficaram da mudança, achei uma carta dele, escrita em meio à nossos 15 anos. Ele dizia que seria meu amigo até quando nossas almas abandonassem nosso corpo. Acontece que o Wil virou um anjo em março desse ano. Foi embora e eu nem pude me despedir... e a minha história ficou um pouco mais triste. Wil, amigo querido, tenho uma última coisa p/ te dizer: Você estava errado!! A nossa amizade não termina por aqui. Descanse em paz, você merece. Um dia a gente se (re)encontra...
terça-feira, 16 de março de 2010
Geração BBB - by Marcelino Freire
Ando sem tempo para postar, mas SEMPRE tenho tempo para ler o Marcelino.
Abaixo um desabafo dele, fresquinho, control C control V do eraOdito.
"Você viu a escritora na jaula?". Hã? "A escritora na casa de vidro?". O quê? Fiquei assim meio aéreo, sem saber. Lá, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. "O maior barato, Marcelino!". No primeiro andar, a escritora estava. Trancafiada. Começou sua estadia na quinta-feira passada e vai até esta quarta. Come, dorme, vegeta, solitária. À vista de quem passa. O nome dela: Paula Parisot. A missão: divulgar o seu livro Gonzos e Parafusos, publicado pela Editora Leya. Eta danado! E eu que tinha ido à Vila apenas atrás da reserva que fiz do Ficção Brasileira Contemporânea. Explico: é esse o título do livro do professor da PUC do Rio, Karl Erik Schollhammer. Um estudo rápido e sério e de fácil leitura sobre a produção ficcional das três últimas décadas. A Geração 90, inclusive, está quase toda lá, esmiuçada. Ele começa exata e ironicamente assim um dos parágrafos: "Inicialmente, a Geração 90 foi um golpe publicitário muito bem armado". E aí vejo a autora confinada. E aí tenho de cruzar, cheio de constragimento, o piso até a seção de encomendas. E ela lá, parece que me enxergando, me sacando, do centro do casulo. E dizendo: "não reclame, vocês também já fizeram marketing". Ave nossa, saravá, amém. O que faço? O livro demorando a chegar. Corro para o além? Escapo pela área de serviço? Fiquei imaginando eu lá, em exposição. De cueca. Peidando. Coçando o saco. Roncando. Recebendo a visita dos amigos geracionais, etc. e tais. E a visita do Rubem Fonseca. Sim, o recluso autor de Agosto faria hoje à tarde uma visita à autora enclausurada. Acredite. Vixe! Para levar o almoço. Dar de comer a coitada! Cena sintomática esta! Animal! Não aguentei e fugi do local. Escondi-me do público. Nem acendi a luz. Deixei meu apartamento no escuro. Por um tempo. Em silêncio. Profundo. Juro. Será que envelheci? Será que encaretei? Não sei. Para completar, a notícia da morte chocante do Glauco e a do seu filho. A barra está ficando pesada, meu amigo. Para o nosso lado. Estou com medo de sair de casa. "Rebola um pouquinho para a gente ver". O quê? Será que instalaram uma câmera na sala?
Abaixo um desabafo dele, fresquinho, control C control V do eraOdito.
"Você viu a escritora na jaula?". Hã? "A escritora na casa de vidro?". O quê? Fiquei assim meio aéreo, sem saber. Lá, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. "O maior barato, Marcelino!". No primeiro andar, a escritora estava. Trancafiada. Começou sua estadia na quinta-feira passada e vai até esta quarta. Come, dorme, vegeta, solitária. À vista de quem passa. O nome dela: Paula Parisot. A missão: divulgar o seu livro Gonzos e Parafusos, publicado pela Editora Leya. Eta danado! E eu que tinha ido à Vila apenas atrás da reserva que fiz do Ficção Brasileira Contemporânea. Explico: é esse o título do livro do professor da PUC do Rio, Karl Erik Schollhammer. Um estudo rápido e sério e de fácil leitura sobre a produção ficcional das três últimas décadas. A Geração 90, inclusive, está quase toda lá, esmiuçada. Ele começa exata e ironicamente assim um dos parágrafos: "Inicialmente, a Geração 90 foi um golpe publicitário muito bem armado". E aí vejo a autora confinada. E aí tenho de cruzar, cheio de constragimento, o piso até a seção de encomendas. E ela lá, parece que me enxergando, me sacando, do centro do casulo. E dizendo: "não reclame, vocês também já fizeram marketing". Ave nossa, saravá, amém. O que faço? O livro demorando a chegar. Corro para o além? Escapo pela área de serviço? Fiquei imaginando eu lá, em exposição. De cueca. Peidando. Coçando o saco. Roncando. Recebendo a visita dos amigos geracionais, etc. e tais. E a visita do Rubem Fonseca. Sim, o recluso autor de Agosto faria hoje à tarde uma visita à autora enclausurada. Acredite. Vixe! Para levar o almoço. Dar de comer a coitada! Cena sintomática esta! Animal! Não aguentei e fugi do local. Escondi-me do público. Nem acendi a luz. Deixei meu apartamento no escuro. Por um tempo. Em silêncio. Profundo. Juro. Será que envelheci? Será que encaretei? Não sei. Para completar, a notícia da morte chocante do Glauco e a do seu filho. A barra está ficando pesada, meu amigo. Para o nosso lado. Estou com medo de sair de casa. "Rebola um pouquinho para a gente ver". O quê? Será que instalaram uma câmera na sala?
sexta-feira, 5 de março de 2010
Xuxa, A Rainha dos Baixinhos (em inglês)
Eu não consigo ler jornais diariamente, não consigo assistir jornais diariamente, não consigo sequer ler notícias na internet. Não dá tempo. Há um ano, assinei a Revista da Semana, para conseguir me atualizar (sim, eu assinei quando um taxista quase bateu o carro ao me ouvir negar ciência sobre o "Caso Isabela"). Era uma leitura rápida e com opiniões imparciais sobre tudo. A Revista da Semana acabou, por falta de verba, o que para mim foi decepcionante. A Abril, compensando as parcelas pagas da minha assinatura, me manda agora a Veja! Então eu sempre fico sabendo das coisas com uma semana de atraso, pois só me atualizo aos domingos, quando a revista chega.
Isso tudo era p/ explicar o pq das minhas críticas atrasadas. Vamo que vamo.
A Xuxa pegou ar pq ridicularizaram a filha dela no Twiter. Mereceu. Primeiro, por deixar uma menina de 11 anos se expor num site assim. Segundo por não ter a humildade de dizer: entendam, é uma pré-adolescente, criada na era emeésseênica, vou prestar mais atenção nisso, etc. Não! Ela precisou humilhar, pisotear, dizendo: minha filha foi alfabetizada em inglês. E tá fazendo o q aqui, ainda? Mudem-se para algum país com influências anglo-saxônicas, sumam de nossas vistas. Já é tempo! A guria, rainha dos baixinhos, grita em alto e bom tom: vcs, analfabetos formados no Brasil, país onde ganhei meu dinheirinho, são baixos, são mendigos. Rico se alfabetiza em inglês e não tem obrigação nenhuma, repito: nenhuma! de aprender o português. É isso aí Xuxa, falou e disse! Vou me lembrar disso quando minha filha ganhar mais um DVD "Só para baixinhos". E se ela algum dia escrever cena com S e a ridicularizarem, vou dizer: minha filha foi alfabetizada em xuxês. Foi assim que ela aprendeu também a se achar melhor que os outros e a tirar a calça e pisar em cima, em acessos de fúria, quando criticada, mesmo que a crítica esteja com a razão.
Isso tudo era p/ explicar o pq das minhas críticas atrasadas. Vamo que vamo.
A Xuxa pegou ar pq ridicularizaram a filha dela no Twiter. Mereceu. Primeiro, por deixar uma menina de 11 anos se expor num site assim. Segundo por não ter a humildade de dizer: entendam, é uma pré-adolescente, criada na era emeésseênica, vou prestar mais atenção nisso, etc. Não! Ela precisou humilhar, pisotear, dizendo: minha filha foi alfabetizada em inglês. E tá fazendo o q aqui, ainda? Mudem-se para algum país com influências anglo-saxônicas, sumam de nossas vistas. Já é tempo! A guria, rainha dos baixinhos, grita em alto e bom tom: vcs, analfabetos formados no Brasil, país onde ganhei meu dinheirinho, são baixos, são mendigos. Rico se alfabetiza em inglês e não tem obrigação nenhuma, repito: nenhuma! de aprender o português. É isso aí Xuxa, falou e disse! Vou me lembrar disso quando minha filha ganhar mais um DVD "Só para baixinhos". E se ela algum dia escrever cena com S e a ridicularizarem, vou dizer: minha filha foi alfabetizada em xuxês. Foi assim que ela aprendeu também a se achar melhor que os outros e a tirar a calça e pisar em cima, em acessos de fúria, quando criticada, mesmo que a crítica esteja com a razão.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Uma coisa de cada vez...
Peço perdão aos meus amigos, mas não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. É missão impossível para mim.
Então, até o nascimento da Julia, que está previsto para Junho, estarei ausente daqui. Preciso me dedicar à ela... e à mim, já que meu corpo tem passado por mudanças bem estranhas... :X
bjs em todos e nos vemos em meio à Copa do Mundo.
Então, até o nascimento da Julia, que está previsto para Junho, estarei ausente daqui. Preciso me dedicar à ela... e à mim, já que meu corpo tem passado por mudanças bem estranhas... :X
bjs em todos e nos vemos em meio à Copa do Mundo.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
É proibido fumar - by Dan Thomaz
Corra que o fumante vem aí....
Costumava andar desatento pelas ruas. Utilizava minhas caminhadas para pensar em como melhor a frase de um texto ou resolver o impasse de uma narrativa. Mesmo assim nunca foi bobo. Sabia em que cidade estava, São Paulo. Mesmo assim fui bobo. Achei que o mulatinho, tão desbotado quanto sua roupa e seu boné, era apenas um moleque pobre e que, branco e estudante de uma universidade particular, com camiseta Ellus, calça Levi’s e sapatênis Adidas, não passava de um burguesinho preconceituoso. Após atravessar a rua com o instinto de sobrevivência, caminhei pela calçada com a cultura da culpa. E tive de ouvir – num português menos correto:
“Por que você atravessou a rua? Tá achando que eu vou te assaltar?”
Burguesinho branquelo, acelerei o passo do meu Adidas.
“Hein, por que atravessou a rua? Por que está andando rápido?”
Burguesinho branquelo, olhei para a marquise e respondi para ele – num português mais correto:
“Atravessei a rua porque era este o meu caminho. Estou andando rápido porque estou com pressa.”
“Anda devagar, por que a pressa? Tá achando que eu vou te assaltar, moleque?”
Com os olhos na marquise, sem vê-la, ouvi a mesma pergunta mais duas vezes. E respondi como se responde um burguesinho branquelo, sem ascendência africana e escrava:
“Estou andando rápido porque estou com pressa! Não estou achando nada de você! Pegue seu caminho, que eu pego o meu!”
E acelerei meu Adidas (burguesinho branquelo, não tinha preocupações com a sola).
Mas ele também acelerou o passo. Não me importei. A sobrevivência deu lugar ao desafio. Um menino desses não vai desviar meu caminho. E não desviou. Mesmo arranhando minha barriga com uma faca de cozinha e pressionando o meu pescoço com a mesma. A faca, diga-se de passagem, subiu da barriga pro pescoço por um motivo muito simples: perguntado sobre meus pertences, indisposto a lhe dar um centavo, disse que tinha cigarro no bolso. E ouvi, num português cheio de cracks emitido por uma língua mole:
“Que cê tá achando que sou, mano, pra me oferecer cigarro?”
Era final de outubro de 2008. Ainda não havia uma lei que me nivelasse a ele. E, por isso, respondi:
“Nada, se eu fumo por que você não pode fumar?”
Assim como para o governador José Serra, para o mulatinho desbotado, o cigarro era algo inaceitável. Pela sugestão, fui castigado com uma faca afundando no meu pescoço, seguida de ameaças de morte. Durante quinze minutos. Ao fim de tudo, não havia um policial na rua. Uma blitz. Alguém me pudesse encaminhar a uma delegacia. Houve uma mulher que passou na minha frente, quando eu estava sentado numa viela, abrindo minha mochila, entregando-lhe meus pertences, com a faca no limite tênue entre a minha vida e apenas uma maneira de ele prover seu vício.
Quase um ano se passou desde aquele evento. Hoje, tremo levemente e olho para os lados quando acendo um cigarro na rua. Ando com pressa, meu Adidas tem menos sola. Mesmo assim, tomo cuidado, não posso esbarrar em ninguém, com um cigarro na mão. Não. As pessoas podem se assustar, como eu, em outubro de 2008. E estarão certas, como eu estava, em outubro de 2008. Mas estarão amparadas, ao contrário de mim, em outubro de 2008. Poderão me delatar para a polícia. Encontrarão um mutirão para me levar à polícia. Poderão, inclusive, se juntar ao mulatinho desbotado, na luta, no assassinato de branquelinhos burguesinhos como eu. Isso se ele já não estiver morto. É um viciado. Assim como eu.
Costumava andar desatento pelas ruas. Utilizava minhas caminhadas para pensar em como melhor a frase de um texto ou resolver o impasse de uma narrativa. Mesmo assim nunca foi bobo. Sabia em que cidade estava, São Paulo. Mesmo assim fui bobo. Achei que o mulatinho, tão desbotado quanto sua roupa e seu boné, era apenas um moleque pobre e que, branco e estudante de uma universidade particular, com camiseta Ellus, calça Levi’s e sapatênis Adidas, não passava de um burguesinho preconceituoso. Após atravessar a rua com o instinto de sobrevivência, caminhei pela calçada com a cultura da culpa. E tive de ouvir – num português menos correto:
“Por que você atravessou a rua? Tá achando que eu vou te assaltar?”
Burguesinho branquelo, acelerei o passo do meu Adidas.
“Hein, por que atravessou a rua? Por que está andando rápido?”
Burguesinho branquelo, olhei para a marquise e respondi para ele – num português mais correto:
“Atravessei a rua porque era este o meu caminho. Estou andando rápido porque estou com pressa.”
“Anda devagar, por que a pressa? Tá achando que eu vou te assaltar, moleque?”
Com os olhos na marquise, sem vê-la, ouvi a mesma pergunta mais duas vezes. E respondi como se responde um burguesinho branquelo, sem ascendência africana e escrava:
“Estou andando rápido porque estou com pressa! Não estou achando nada de você! Pegue seu caminho, que eu pego o meu!”
E acelerei meu Adidas (burguesinho branquelo, não tinha preocupações com a sola).
Mas ele também acelerou o passo. Não me importei. A sobrevivência deu lugar ao desafio. Um menino desses não vai desviar meu caminho. E não desviou. Mesmo arranhando minha barriga com uma faca de cozinha e pressionando o meu pescoço com a mesma. A faca, diga-se de passagem, subiu da barriga pro pescoço por um motivo muito simples: perguntado sobre meus pertences, indisposto a lhe dar um centavo, disse que tinha cigarro no bolso. E ouvi, num português cheio de cracks emitido por uma língua mole:
“Que cê tá achando que sou, mano, pra me oferecer cigarro?”
Era final de outubro de 2008. Ainda não havia uma lei que me nivelasse a ele. E, por isso, respondi:
“Nada, se eu fumo por que você não pode fumar?”
Assim como para o governador José Serra, para o mulatinho desbotado, o cigarro era algo inaceitável. Pela sugestão, fui castigado com uma faca afundando no meu pescoço, seguida de ameaças de morte. Durante quinze minutos. Ao fim de tudo, não havia um policial na rua. Uma blitz. Alguém me pudesse encaminhar a uma delegacia. Houve uma mulher que passou na minha frente, quando eu estava sentado numa viela, abrindo minha mochila, entregando-lhe meus pertences, com a faca no limite tênue entre a minha vida e apenas uma maneira de ele prover seu vício.
Quase um ano se passou desde aquele evento. Hoje, tremo levemente e olho para os lados quando acendo um cigarro na rua. Ando com pressa, meu Adidas tem menos sola. Mesmo assim, tomo cuidado, não posso esbarrar em ninguém, com um cigarro na mão. Não. As pessoas podem se assustar, como eu, em outubro de 2008. E estarão certas, como eu estava, em outubro de 2008. Mas estarão amparadas, ao contrário de mim, em outubro de 2008. Poderão me delatar para a polícia. Encontrarão um mutirão para me levar à polícia. Poderão, inclusive, se juntar ao mulatinho desbotado, na luta, no assassinato de branquelinhos burguesinhos como eu. Isso se ele já não estiver morto. É um viciado. Assim como eu.
É proibido fumar - by Monica Waldvogel
[texto apresentado no programa "Entre Aspas" no dia 30/07]
Na semana que vem os fumantes de São Paulo finalmente vão entrar na linha. Vai ficar proibido fumar no bar, no cabeleireiro, no salão de festas do prédio. Os fumódromos serão extintos. A punição para a desobediência é multa pesada. Mas quem vai pagá-la será o síndico, o dono do estabelecimento. Alguém vai ter que ser responsável pelo controle das baforadas dos outros. Fácil adivinhar que vai dar confusão. Mesmo assim, os combatentes do tabaco comemoram. Esperam que a lei paulista, como outras, logo vire brasileira. Exaltam a vitória e a virtude do politicamente correto. Há, porém, quem lamente tanto controle sobre a vida e as escolhas de cada um. Há os que receiam viver num mundo tão cheio de normas e regras; de proibições ou que todas as pessoas vivam no mesmo credo na saúde e na boa-forma, como se essa fosse a única vida possível. Um mundo que levanta fachadas morais bem chamativas para disfarçar todo o caos por trás. Afinal, até o pouco transgressor Roberto Carlos, numa canção antiga, já perguntava:
“Será que tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda?”
Na semana que vem os fumantes de São Paulo finalmente vão entrar na linha. Vai ficar proibido fumar no bar, no cabeleireiro, no salão de festas do prédio. Os fumódromos serão extintos. A punição para a desobediência é multa pesada. Mas quem vai pagá-la será o síndico, o dono do estabelecimento. Alguém vai ter que ser responsável pelo controle das baforadas dos outros. Fácil adivinhar que vai dar confusão. Mesmo assim, os combatentes do tabaco comemoram. Esperam que a lei paulista, como outras, logo vire brasileira. Exaltam a vitória e a virtude do politicamente correto. Há, porém, quem lamente tanto controle sobre a vida e as escolhas de cada um. Há os que receiam viver num mundo tão cheio de normas e regras; de proibições ou que todas as pessoas vivam no mesmo credo na saúde e na boa-forma, como se essa fosse a única vida possível. Um mundo que levanta fachadas morais bem chamativas para disfarçar todo o caos por trás. Afinal, até o pouco transgressor Roberto Carlos, numa canção antiga, já perguntava:
“Será que tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda?”
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