Ando sem tempo para postar, mas SEMPRE tenho tempo para ler o Marcelino.
Abaixo um desabafo dele, fresquinho, control C control V do eraOdito.
"Você viu a escritora na jaula?". Hã? "A escritora na casa de vidro?". O quê? Fiquei assim meio aéreo, sem saber. Lá, na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. "O maior barato, Marcelino!". No primeiro andar, a escritora estava. Trancafiada. Começou sua estadia na quinta-feira passada e vai até esta quarta. Come, dorme, vegeta, solitária. À vista de quem passa. O nome dela: Paula Parisot. A missão: divulgar o seu livro Gonzos e Parafusos, publicado pela Editora Leya. Eta danado! E eu que tinha ido à Vila apenas atrás da reserva que fiz do Ficção Brasileira Contemporânea. Explico: é esse o título do livro do professor da PUC do Rio, Karl Erik Schollhammer. Um estudo rápido e sério e de fácil leitura sobre a produção ficcional das três últimas décadas. A Geração 90, inclusive, está quase toda lá, esmiuçada. Ele começa exata e ironicamente assim um dos parágrafos: "Inicialmente, a Geração 90 foi um golpe publicitário muito bem armado". E aí vejo a autora confinada. E aí tenho de cruzar, cheio de constragimento, o piso até a seção de encomendas. E ela lá, parece que me enxergando, me sacando, do centro do casulo. E dizendo: "não reclame, vocês também já fizeram marketing". Ave nossa, saravá, amém. O que faço? O livro demorando a chegar. Corro para o além? Escapo pela área de serviço? Fiquei imaginando eu lá, em exposição. De cueca. Peidando. Coçando o saco. Roncando. Recebendo a visita dos amigos geracionais, etc. e tais. E a visita do Rubem Fonseca. Sim, o recluso autor de Agosto faria hoje à tarde uma visita à autora enclausurada. Acredite. Vixe! Para levar o almoço. Dar de comer a coitada! Cena sintomática esta! Animal! Não aguentei e fugi do local. Escondi-me do público. Nem acendi a luz. Deixei meu apartamento no escuro. Por um tempo. Em silêncio. Profundo. Juro. Será que envelheci? Será que encaretei? Não sei. Para completar, a notícia da morte chocante do Glauco e a do seu filho. A barra está ficando pesada, meu amigo. Para o nosso lado. Estou com medo de sair de casa. "Rebola um pouquinho para a gente ver". O quê? Será que instalaram uma câmera na sala?
terça-feira, 16 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Xuxa, A Rainha dos Baixinhos (em inglês)
Eu não consigo ler jornais diariamente, não consigo assistir jornais diariamente, não consigo sequer ler notícias na internet. Não dá tempo. Há um ano, assinei a Revista da Semana, para conseguir me atualizar (sim, eu assinei quando um taxista quase bateu o carro ao me ouvir negar ciência sobre o "Caso Isabela"). Era uma leitura rápida e com opiniões imparciais sobre tudo. A Revista da Semana acabou, por falta de verba, o que para mim foi decepcionante. A Abril, compensando as parcelas pagas da minha assinatura, me manda agora a Veja! Então eu sempre fico sabendo das coisas com uma semana de atraso, pois só me atualizo aos domingos, quando a revista chega.
Isso tudo era p/ explicar o pq das minhas críticas atrasadas. Vamo que vamo.
A Xuxa pegou ar pq ridicularizaram a filha dela no Twiter. Mereceu. Primeiro, por deixar uma menina de 11 anos se expor num site assim. Segundo por não ter a humildade de dizer: entendam, é uma pré-adolescente, criada na era emeésseênica, vou prestar mais atenção nisso, etc. Não! Ela precisou humilhar, pisotear, dizendo: minha filha foi alfabetizada em inglês. E tá fazendo o q aqui, ainda? Mudem-se para algum país com influências anglo-saxônicas, sumam de nossas vistas. Já é tempo! A guria, rainha dos baixinhos, grita em alto e bom tom: vcs, analfabetos formados no Brasil, país onde ganhei meu dinheirinho, são baixos, são mendigos. Rico se alfabetiza em inglês e não tem obrigação nenhuma, repito: nenhuma! de aprender o português. É isso aí Xuxa, falou e disse! Vou me lembrar disso quando minha filha ganhar mais um DVD "Só para baixinhos". E se ela algum dia escrever cena com S e a ridicularizarem, vou dizer: minha filha foi alfabetizada em xuxês. Foi assim que ela aprendeu também a se achar melhor que os outros e a tirar a calça e pisar em cima, em acessos de fúria, quando criticada, mesmo que a crítica esteja com a razão.
Isso tudo era p/ explicar o pq das minhas críticas atrasadas. Vamo que vamo.
A Xuxa pegou ar pq ridicularizaram a filha dela no Twiter. Mereceu. Primeiro, por deixar uma menina de 11 anos se expor num site assim. Segundo por não ter a humildade de dizer: entendam, é uma pré-adolescente, criada na era emeésseênica, vou prestar mais atenção nisso, etc. Não! Ela precisou humilhar, pisotear, dizendo: minha filha foi alfabetizada em inglês. E tá fazendo o q aqui, ainda? Mudem-se para algum país com influências anglo-saxônicas, sumam de nossas vistas. Já é tempo! A guria, rainha dos baixinhos, grita em alto e bom tom: vcs, analfabetos formados no Brasil, país onde ganhei meu dinheirinho, são baixos, são mendigos. Rico se alfabetiza em inglês e não tem obrigação nenhuma, repito: nenhuma! de aprender o português. É isso aí Xuxa, falou e disse! Vou me lembrar disso quando minha filha ganhar mais um DVD "Só para baixinhos". E se ela algum dia escrever cena com S e a ridicularizarem, vou dizer: minha filha foi alfabetizada em xuxês. Foi assim que ela aprendeu também a se achar melhor que os outros e a tirar a calça e pisar em cima, em acessos de fúria, quando criticada, mesmo que a crítica esteja com a razão.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Uma coisa de cada vez...
Peço perdão aos meus amigos, mas não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. É missão impossível para mim.
Então, até o nascimento da Julia, que está previsto para Junho, estarei ausente daqui. Preciso me dedicar à ela... e à mim, já que meu corpo tem passado por mudanças bem estranhas... :X
bjs em todos e nos vemos em meio à Copa do Mundo.
Então, até o nascimento da Julia, que está previsto para Junho, estarei ausente daqui. Preciso me dedicar à ela... e à mim, já que meu corpo tem passado por mudanças bem estranhas... :X
bjs em todos e nos vemos em meio à Copa do Mundo.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
É proibido fumar - by Dan Thomaz
Corra que o fumante vem aí....
Costumava andar desatento pelas ruas. Utilizava minhas caminhadas para pensar em como melhor a frase de um texto ou resolver o impasse de uma narrativa. Mesmo assim nunca foi bobo. Sabia em que cidade estava, São Paulo. Mesmo assim fui bobo. Achei que o mulatinho, tão desbotado quanto sua roupa e seu boné, era apenas um moleque pobre e que, branco e estudante de uma universidade particular, com camiseta Ellus, calça Levi’s e sapatênis Adidas, não passava de um burguesinho preconceituoso. Após atravessar a rua com o instinto de sobrevivência, caminhei pela calçada com a cultura da culpa. E tive de ouvir – num português menos correto:
“Por que você atravessou a rua? Tá achando que eu vou te assaltar?”
Burguesinho branquelo, acelerei o passo do meu Adidas.
“Hein, por que atravessou a rua? Por que está andando rápido?”
Burguesinho branquelo, olhei para a marquise e respondi para ele – num português mais correto:
“Atravessei a rua porque era este o meu caminho. Estou andando rápido porque estou com pressa.”
“Anda devagar, por que a pressa? Tá achando que eu vou te assaltar, moleque?”
Com os olhos na marquise, sem vê-la, ouvi a mesma pergunta mais duas vezes. E respondi como se responde um burguesinho branquelo, sem ascendência africana e escrava:
“Estou andando rápido porque estou com pressa! Não estou achando nada de você! Pegue seu caminho, que eu pego o meu!”
E acelerei meu Adidas (burguesinho branquelo, não tinha preocupações com a sola).
Mas ele também acelerou o passo. Não me importei. A sobrevivência deu lugar ao desafio. Um menino desses não vai desviar meu caminho. E não desviou. Mesmo arranhando minha barriga com uma faca de cozinha e pressionando o meu pescoço com a mesma. A faca, diga-se de passagem, subiu da barriga pro pescoço por um motivo muito simples: perguntado sobre meus pertences, indisposto a lhe dar um centavo, disse que tinha cigarro no bolso. E ouvi, num português cheio de cracks emitido por uma língua mole:
“Que cê tá achando que sou, mano, pra me oferecer cigarro?”
Era final de outubro de 2008. Ainda não havia uma lei que me nivelasse a ele. E, por isso, respondi:
“Nada, se eu fumo por que você não pode fumar?”
Assim como para o governador José Serra, para o mulatinho desbotado, o cigarro era algo inaceitável. Pela sugestão, fui castigado com uma faca afundando no meu pescoço, seguida de ameaças de morte. Durante quinze minutos. Ao fim de tudo, não havia um policial na rua. Uma blitz. Alguém me pudesse encaminhar a uma delegacia. Houve uma mulher que passou na minha frente, quando eu estava sentado numa viela, abrindo minha mochila, entregando-lhe meus pertences, com a faca no limite tênue entre a minha vida e apenas uma maneira de ele prover seu vício.
Quase um ano se passou desde aquele evento. Hoje, tremo levemente e olho para os lados quando acendo um cigarro na rua. Ando com pressa, meu Adidas tem menos sola. Mesmo assim, tomo cuidado, não posso esbarrar em ninguém, com um cigarro na mão. Não. As pessoas podem se assustar, como eu, em outubro de 2008. E estarão certas, como eu estava, em outubro de 2008. Mas estarão amparadas, ao contrário de mim, em outubro de 2008. Poderão me delatar para a polícia. Encontrarão um mutirão para me levar à polícia. Poderão, inclusive, se juntar ao mulatinho desbotado, na luta, no assassinato de branquelinhos burguesinhos como eu. Isso se ele já não estiver morto. É um viciado. Assim como eu.
Costumava andar desatento pelas ruas. Utilizava minhas caminhadas para pensar em como melhor a frase de um texto ou resolver o impasse de uma narrativa. Mesmo assim nunca foi bobo. Sabia em que cidade estava, São Paulo. Mesmo assim fui bobo. Achei que o mulatinho, tão desbotado quanto sua roupa e seu boné, era apenas um moleque pobre e que, branco e estudante de uma universidade particular, com camiseta Ellus, calça Levi’s e sapatênis Adidas, não passava de um burguesinho preconceituoso. Após atravessar a rua com o instinto de sobrevivência, caminhei pela calçada com a cultura da culpa. E tive de ouvir – num português menos correto:
“Por que você atravessou a rua? Tá achando que eu vou te assaltar?”
Burguesinho branquelo, acelerei o passo do meu Adidas.
“Hein, por que atravessou a rua? Por que está andando rápido?”
Burguesinho branquelo, olhei para a marquise e respondi para ele – num português mais correto:
“Atravessei a rua porque era este o meu caminho. Estou andando rápido porque estou com pressa.”
“Anda devagar, por que a pressa? Tá achando que eu vou te assaltar, moleque?”
Com os olhos na marquise, sem vê-la, ouvi a mesma pergunta mais duas vezes. E respondi como se responde um burguesinho branquelo, sem ascendência africana e escrava:
“Estou andando rápido porque estou com pressa! Não estou achando nada de você! Pegue seu caminho, que eu pego o meu!”
E acelerei meu Adidas (burguesinho branquelo, não tinha preocupações com a sola).
Mas ele também acelerou o passo. Não me importei. A sobrevivência deu lugar ao desafio. Um menino desses não vai desviar meu caminho. E não desviou. Mesmo arranhando minha barriga com uma faca de cozinha e pressionando o meu pescoço com a mesma. A faca, diga-se de passagem, subiu da barriga pro pescoço por um motivo muito simples: perguntado sobre meus pertences, indisposto a lhe dar um centavo, disse que tinha cigarro no bolso. E ouvi, num português cheio de cracks emitido por uma língua mole:
“Que cê tá achando que sou, mano, pra me oferecer cigarro?”
Era final de outubro de 2008. Ainda não havia uma lei que me nivelasse a ele. E, por isso, respondi:
“Nada, se eu fumo por que você não pode fumar?”
Assim como para o governador José Serra, para o mulatinho desbotado, o cigarro era algo inaceitável. Pela sugestão, fui castigado com uma faca afundando no meu pescoço, seguida de ameaças de morte. Durante quinze minutos. Ao fim de tudo, não havia um policial na rua. Uma blitz. Alguém me pudesse encaminhar a uma delegacia. Houve uma mulher que passou na minha frente, quando eu estava sentado numa viela, abrindo minha mochila, entregando-lhe meus pertences, com a faca no limite tênue entre a minha vida e apenas uma maneira de ele prover seu vício.
Quase um ano se passou desde aquele evento. Hoje, tremo levemente e olho para os lados quando acendo um cigarro na rua. Ando com pressa, meu Adidas tem menos sola. Mesmo assim, tomo cuidado, não posso esbarrar em ninguém, com um cigarro na mão. Não. As pessoas podem se assustar, como eu, em outubro de 2008. E estarão certas, como eu estava, em outubro de 2008. Mas estarão amparadas, ao contrário de mim, em outubro de 2008. Poderão me delatar para a polícia. Encontrarão um mutirão para me levar à polícia. Poderão, inclusive, se juntar ao mulatinho desbotado, na luta, no assassinato de branquelinhos burguesinhos como eu. Isso se ele já não estiver morto. É um viciado. Assim como eu.
É proibido fumar - by Monica Waldvogel
[texto apresentado no programa "Entre Aspas" no dia 30/07]
Na semana que vem os fumantes de São Paulo finalmente vão entrar na linha. Vai ficar proibido fumar no bar, no cabeleireiro, no salão de festas do prédio. Os fumódromos serão extintos. A punição para a desobediência é multa pesada. Mas quem vai pagá-la será o síndico, o dono do estabelecimento. Alguém vai ter que ser responsável pelo controle das baforadas dos outros. Fácil adivinhar que vai dar confusão. Mesmo assim, os combatentes do tabaco comemoram. Esperam que a lei paulista, como outras, logo vire brasileira. Exaltam a vitória e a virtude do politicamente correto. Há, porém, quem lamente tanto controle sobre a vida e as escolhas de cada um. Há os que receiam viver num mundo tão cheio de normas e regras; de proibições ou que todas as pessoas vivam no mesmo credo na saúde e na boa-forma, como se essa fosse a única vida possível. Um mundo que levanta fachadas morais bem chamativas para disfarçar todo o caos por trás. Afinal, até o pouco transgressor Roberto Carlos, numa canção antiga, já perguntava:
“Será que tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda?”
Na semana que vem os fumantes de São Paulo finalmente vão entrar na linha. Vai ficar proibido fumar no bar, no cabeleireiro, no salão de festas do prédio. Os fumódromos serão extintos. A punição para a desobediência é multa pesada. Mas quem vai pagá-la será o síndico, o dono do estabelecimento. Alguém vai ter que ser responsável pelo controle das baforadas dos outros. Fácil adivinhar que vai dar confusão. Mesmo assim, os combatentes do tabaco comemoram. Esperam que a lei paulista, como outras, logo vire brasileira. Exaltam a vitória e a virtude do politicamente correto. Há, porém, quem lamente tanto controle sobre a vida e as escolhas de cada um. Há os que receiam viver num mundo tão cheio de normas e regras; de proibições ou que todas as pessoas vivam no mesmo credo na saúde e na boa-forma, como se essa fosse a única vida possível. Um mundo que levanta fachadas morais bem chamativas para disfarçar todo o caos por trás. Afinal, até o pouco transgressor Roberto Carlos, numa canção antiga, já perguntava:
“Será que tudo o que gosto é ilegal, imoral ou engorda?”
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
É proibido fumar - by Carol Rosa
- Com licença, você poderia acender o cigarro?
- Pois não?
- Você poderia fazer a gentileza de acender o cigarro? Essa falta de fumaça no ambiente está me incomodando.
- Mas eu não quero acender o cigarro. Eu tenho o direito de não fumar.
- E eu tenho o direito de não que conviver com a sua falta de hábito.
- Que absurdo! Não existe nenhuma lei que me obrigue a acender o cigarro.
- E só por causa disso eu vou ter que sofrer os efeitos colaterais do seu não-fumo?
- E que efeitos são esses?
- Preconceito. Querida, não sei se você sabe, mas preconceito mata.
- Não vejo como o meu preconceito possa fazer tão mal a você.
- Só o seu não, mas o seu, o dela, o dele, o dele ali...
- E você prefere morrer de câncer no pulmão a morrer de preconceito?
- Mas é claro. Preconceito causa muito mais sofrimento. Primeiro acaba com o lado social do meu corpo, depois corrói a minha auto-estima e por fim causa automutilação. É esse o fim horrível que você quer?
- Não, mas ninguém aqui está com preconceito comigo.
- Mas comigo sim.
- Isso é problema seu.
- Ah, então você não quer acender o seu cigarro, EU sofro os efeitos colaterais disso e o problema é meu?
- Exatamente.
- É, tem gente que simplesmente não sabe viver em sociedade.
[http://meusmiolos.blogspot.com/]
- Pois não?
- Você poderia fazer a gentileza de acender o cigarro? Essa falta de fumaça no ambiente está me incomodando.
- Mas eu não quero acender o cigarro. Eu tenho o direito de não fumar.
- E eu tenho o direito de não que conviver com a sua falta de hábito.
- Que absurdo! Não existe nenhuma lei que me obrigue a acender o cigarro.
- E só por causa disso eu vou ter que sofrer os efeitos colaterais do seu não-fumo?
- E que efeitos são esses?
- Preconceito. Querida, não sei se você sabe, mas preconceito mata.
- Não vejo como o meu preconceito possa fazer tão mal a você.
- Só o seu não, mas o seu, o dela, o dele, o dele ali...
- E você prefere morrer de câncer no pulmão a morrer de preconceito?
- Mas é claro. Preconceito causa muito mais sofrimento. Primeiro acaba com o lado social do meu corpo, depois corrói a minha auto-estima e por fim causa automutilação. É esse o fim horrível que você quer?
- Não, mas ninguém aqui está com preconceito comigo.
- Mas comigo sim.
- Isso é problema seu.
- Ah, então você não quer acender o seu cigarro, EU sofro os efeitos colaterais disso e o problema é meu?
- Exatamente.
- É, tem gente que simplesmente não sabe viver em sociedade.
[http://meusmiolos.blogspot.com/]
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Lobotomia nacional
A Fani alguma-coisa, ex-BBB, lançou há dez dias um livro de memórias (sim, Zélia Gattai se revirou no túmulo). Da entrevista dela na Veja, um tanto vexada, tirei:
"Estar nua na capa tem uma subjetividade filosófica... mas em princípio é uma obra literária."
Ah Brasil, meu Brasil brasileiro, terra achavascada.
No dia 03, dois autores ganharam o Prêmio São Paulo de Literatura, mas isso não saiu na Veja.
No dia 04, foram lançados os livros do Santiago Nazarian, Ivana Arruda Leite e Rodrigo Lacerda, mas isso também não saiu na Veja.
E mais mil coisas interessantes aconteceram durante a semana, mas ...
Prá que falar nisso, não é?
O povo não gosta, isso não chama a atenção, não vende revista.
E não importa se o "não gostar poval" seja simplesmente por não saber. Não ter acesso. Não conhecer. Afinal, a realidade é essa: os maiores veículos da mídia, os formadores de opinião, os porretas!, não estão preocupados com a cultura. Preferem ceder espaço para que - ao som de "cada um no seu quadrado" e "Tô ficando atoladinha" - celebridades instantâneas e acéfalas digam à que vieram.
Ah, repito, trepito, quadrepito: estou velha prá isso. Velha e cansada.
PS: Se na próxima edição da Bravo eu der de cara com esse "livro" na página de indicações, juro! Vou seguir a máxima "Já que não pode vencê-los, junte-se a eles": Faço uma lobotomia.
"Estar nua na capa tem uma subjetividade filosófica... mas em princípio é uma obra literária."
Ah Brasil, meu Brasil brasileiro, terra achavascada.
No dia 03, dois autores ganharam o Prêmio São Paulo de Literatura, mas isso não saiu na Veja.
No dia 04, foram lançados os livros do Santiago Nazarian, Ivana Arruda Leite e Rodrigo Lacerda, mas isso também não saiu na Veja.
E mais mil coisas interessantes aconteceram durante a semana, mas ...
Prá que falar nisso, não é?
O povo não gosta, isso não chama a atenção, não vende revista.
E não importa se o "não gostar poval" seja simplesmente por não saber. Não ter acesso. Não conhecer. Afinal, a realidade é essa: os maiores veículos da mídia, os formadores de opinião, os porretas!, não estão preocupados com a cultura. Preferem ceder espaço para que - ao som de "cada um no seu quadrado" e "Tô ficando atoladinha" - celebridades instantâneas e acéfalas digam à que vieram.
Ah, repito, trepito, quadrepito: estou velha prá isso. Velha e cansada.
PS: Se na próxima edição da Bravo eu der de cara com esse "livro" na página de indicações, juro! Vou seguir a máxima "Já que não pode vencê-los, junte-se a eles": Faço uma lobotomia.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
É proibido fumar - by Marcelino Freire
É PROIBIDO FUMAR
No bar. Onde acontecerá a próxima chacina. É proibido fumar. No boteco da BR onde a criança dança. Nua. É proibido fumar. No muquivo de Dona Pretinha. Nenhuma cinza. Nadinha. É proibido fumar. Dentro da barraca de cachorro quente. Junto a carne de gato. É proibido fumar. Dentro do banheiro da boite. Entre uma boquete. E outra boquete. É proibido. Na emergência do HR. Entre mortos e feridos. É proibido fumar. No pé-sujo. Da esquina da favela. É proibido. Apagar bitucas no cativeiro. Na bunda da vítima. No salão de festa. Quando o salão for tomado. De assalto. É proibido fumar. Na pista de funk. Na casa lotada. Que desabará. Na Freguesia. É proibido fumar. Para o ar não ficar pesado. O povo sem fôlego. Respirar. É proibido fumar.
[http://eraodito.blogspot.com/]
No bar. Onde acontecerá a próxima chacina. É proibido fumar. No boteco da BR onde a criança dança. Nua. É proibido fumar. No muquivo de Dona Pretinha. Nenhuma cinza. Nadinha. É proibido fumar. Dentro da barraca de cachorro quente. Junto a carne de gato. É proibido fumar. Dentro do banheiro da boite. Entre uma boquete. E outra boquete. É proibido. Na emergência do HR. Entre mortos e feridos. É proibido fumar. No pé-sujo. Da esquina da favela. É proibido. Apagar bitucas no cativeiro. Na bunda da vítima. No salão de festa. Quando o salão for tomado. De assalto. É proibido fumar. Na pista de funk. Na casa lotada. Que desabará. Na Freguesia. É proibido fumar. Para o ar não ficar pesado. O povo sem fôlego. Respirar. É proibido fumar.
[http://eraodito.blogspot.com/]
É proibido fumar - by Dan Thomaz
Sou fumante, aquele tipo de ser tão nocivo à sociedade quanto um usuário de crack, que rouba e mata para manter seu vício. Também mato. Uma tragada da pior droga de todas, o cigarro, meu vício, mata mais que toda a frota de carros em São Paulo. Sim, sou assassino. Um psicopata. Mato pelo meu prazer. E, sádico que sou, mereço o seu rancor, sua delação, sua mordaça em minha boca, seguida de chicotadas cujo estalar ecoa por todo o estado de São Paulo, mais alto que minha agonia, meu grito de dor.
É proibido fumar - by Rê Piacente
domingo, 2 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Bicho - Lançamento na AIC
Na terça-feira, 07, rolou (aleluia! finalmente! enfim...) o lançamento do Bicho, na Academia Internacional de Cinema em Higienópolis, SP. Teve o Dan Thomaz, genial e ácido, J.K.Mandel - que finalmente nos apresentou sua esposa, lindíssima por sinal -, teve Carol Rosa querendo glamour, Marcia Matos correndo prá lá e prá cá, fazendo com que tudo saísse perfeito. Teve sarau com a galera do curso de Criação Literária - que eu não vi pq fiquei com meus convidados comendo empada na cantina. Teve o casal Chris e Ernani, made in Bauru, com a notícia maravilhosa do casamento finalmente marcado, teve minha família de coração, em peso, com Isabela e tudo! Teve autor que no auge da insegurança ficou criticando sua própria obra, recém-nascida, em vez de curtir e se orgulhar. E teve Marcelino Freire, que só de estar já encanta. O Bicho ficou ótimo, com alguns errinhos perdoáveis de primeira edição. Eu, adorei. E confesso aqui: autografar um livro meu, sonho antigo, foi prá lá de bom! Porreta!
Quem perdeu esse lançamento, corra no dia 17 p/ Livraria Cultura. Estaremos lá!!!
Quem perdeu esse lançamento, corra no dia 17 p/ Livraria Cultura. Estaremos lá!!!
Marcadores:
AIC,
Bicho de Quinze Cabeças,
Livraria Cultura
domingo, 5 de julho de 2009
Atendimento ao cliente - você "pode estar" me atendendo com mais gentileza?
Meu notebook morou na assistência técnica por 120 dias. Quando a permanência dele lá chegou aos 30 dias, eu desiludida e abandonada, liguei para o fabricante, reclamando e exigindo meus direitos de consumidora infeliz (ainda estava dentro da garantia de 1 ano). Me ofereceram uma troca: "Sra, trocaremos a sua máquina por outra melhor, mais equipada, mais moderna, mais bonita". Ok. Eu só queria o meu, queria q não tivesse quebrado com 6 meses de uso, mas ok. Vamos à mais moderna e bonita. Me pediram 20 dias para a entrega. Ok novamente. Aos 60 dias, nada. Aos 90 nada. Eu sei que deveria ter ido ao PROCON, ao juizado de pequenas causas, ao raio que o parta! Mas sou preguiçosa demais até para brigar por meus direitos. Com 91 dias liguei novamente e o atendente, que foi super atencioso e prestativo, me disse que a máquina tinha saído via sedex naquele mesmo dia. No dia seguinte, recebi um e-mail do fabricante, confirmando esses dados. 120 dias... nada! Toca ligar lá de novo. Me atendeu a Ana Paula, que com toda a arrogância do mundo e como se estivesse me fazendo uma doação, disse: "Sra, a sua máquina está aguardando embarque". Aguardando embarque? Estava na fila do ck-in? Fala sério! Questionei então sobre a veracidade do e-mail enviado por eles e ouvi, como se eu fosse intelectualmente prejudicada, em fala pausada para me ajudar a gravar na memória: "Sra, repito: sua máquina está aguardando embarque". Ok, gracinha... me passe seu supervisor. 20 minutos mais tarde, o supervisor Carlos veio me atender. Questionei a mesma coisa e ouvi, boquiaberta, uma reação assustadora e aos gritos do tal supervisor: "A sra. está achando que a minha (ele é o proprietário?) empresa é a casa da mãe Joana? Um mercadinho de esquina? Se eu estou falando que a sua máquina está aguardando embarque é pq está aguardando embarque e pronto! Limite-se a esperar". Sim, me limito a esperar. Esperar que um dia as indústrias e prestadoras de serviço tenham respeito por nós, consumidores. Esperar que um dia eu possa comprar um produto que não seja descartável ou se for, que custe como tal.
Estou cansada, muita cansada. Estou velha para esse tipo de situação.
E você?
Em tempo: Outro dia uma atendente do 0800 de uma empresa fornecedora de energia elétrica quis me processar, alegando que foi ultrajada. Eu tenho a conversa gravada, em momento algum rolou ofensa pessoal. Nem palavrão teve!! Eu estava muito brava com a empresa, sim, mas no meu direito de consumidora que paga tudo em dia.
Cuidado, galera. O serviço de atendimento ao cliente está tentando dominar o mundo.
Estou cansada, muita cansada. Estou velha para esse tipo de situação.
E você?
Em tempo: Outro dia uma atendente do 0800 de uma empresa fornecedora de energia elétrica quis me processar, alegando que foi ultrajada. Eu tenho a conversa gravada, em momento algum rolou ofensa pessoal. Nem palavrão teve!! Eu estava muito brava com a empresa, sim, mas no meu direito de consumidora que paga tudo em dia.
Cuidado, galera. O serviço de atendimento ao cliente está tentando dominar o mundo.
Marcadores:
0800,
atendimento ao cliente,
Positivo Informática.
domingo, 26 de abril de 2009
Maldito celular...
Eu ODEIO celular. Odeio mesmo. Considero-o entrão e sem educação. Mas claro, para minha frustração, é impossível viver sem um hoje em dia. O fato é que ontem eu tinha mil coisas à fazer que dependiam dele. Mas correndo como sempre, me meti na estrada para SP e só fui perceber que tinha esquecido o dito cujo em casa quando já não dava para voltar. Com isso pisei na bola com a Ana, perdi um almoço com a Tati, não pude falar com a minha madrinha que estava em São Pedro... :(. MALDITO CELULAR.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Roda de Leitura com Marcelino Freire - SESC Campinas
Eu vivo reclamando que queria estar em SP para ter acesso aos eventos literários que rolam por lá. Só estando lá para encontrar Marcelino Freire, Ivana Arruda e Antônio Prata juntos no lançamento de um mesmo livro*, só lá para respirar literatura. Vivo reclamando mesmo. TSS TSS TSS.
Começou na quinta passada, por exemplo, uma roda de leituras no SESC Campinas que tem como mediador o mesmo Marcelino citado acima. E eu reclamando, sentada em meus rabos e bicos, deixei passar a primeira rodada. Se fez como eu, faça agora exatamente o que vou fazer: correr amanhã às 19h30 para a segunda rodada. E dia 30/04 tem a terceira. A atendente simpática que atendeu meu telefonema aflito, talvez para acalmar minha angústia, me confidenciou que dia 25/04 tem também oficina de contos, com o próprio. Eu não vou perder.
Clique aqui e veja a programação.
*Isso aconteceu mesmo! Lançamento do livro "35 segredos para se chegar a lugar nenhum", ed. Bertrand Brasil, organização Ivana Arruda.
Começou na quinta passada, por exemplo, uma roda de leituras no SESC Campinas que tem como mediador o mesmo Marcelino citado acima. E eu reclamando, sentada em meus rabos e bicos, deixei passar a primeira rodada. Se fez como eu, faça agora exatamente o que vou fazer: correr amanhã às 19h30 para a segunda rodada. E dia 30/04 tem a terceira. A atendente simpática que atendeu meu telefonema aflito, talvez para acalmar minha angústia, me confidenciou que dia 25/04 tem também oficina de contos, com o próprio. Eu não vou perder.
Clique aqui e veja a programação.
*Isso aconteceu mesmo! Lançamento do livro "35 segredos para se chegar a lugar nenhum", ed. Bertrand Brasil, organização Ivana Arruda.
Marcadores:
Antonio Prata,
Ivana Arruda,
Marcelino Freire,
SESC Campinas
domingo, 19 de abril de 2009
Casas de Machado

Na quinta-feira, 16, finalizando as comemorações do aniversário da Giovanna, fomos assistir à peça de um super amigo, o Ricardo Moreira, que estava até ontem em cartaz no Centro de Convivência, em Campinas. Esqueçam o fato de eu gostar e admirar muito esse amigo. A peça é DIVINA! Inteligente, sensível. Linda. Em meio à Chiquinha Gonzaga e Elis, as tramas se misturam ao tabuleiro de xadrez e nos fazem viajar para o Universo Machadiano. Perfeito.
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